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75 anos da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário – Delmiro Gouveia

Thiego Barros
há 3 minutos
4 min de leitura

Da Vila da Pedra à ereção canônica: história, fé e memória

Foto: Felipe Ferreira
Foto: Felipe Ferreira

Celebrar os 75 anos de ereção canônica da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, em Delmiro Gouveia, é revisitar um percurso de fé que se entrelaça com a própria formação histórica deste município sertanejo margeado pelas águas do Velho Chico, nosso Rio São Francisco em sua dinâmica histórica e cultural.


Como demonstrei na introdução de minha dissertação, a devoção à Senhora do Rosário nesta terra remonta a 1918, um ano após a morte de Delmiro Augusto da Cruz Gouveia, já com a fábrica de tecidos em funcionamento (BARROS, 2023, p. 45). Nesse contexto de transição, entre o luto pelo fundador, assassinado em 10 de outubro de 1917, e a continuidade do projeto industrial, a chegada da imagem da padroeira à então Vila da Pedra configurou-se, desde o início, como elemento de tecitura identitária, de fé e de resistência cultural. Ressalte-se, por rigor historiográfico, que a denominação "Fábrica da Pedra" somente se consolidaria nos anos 1990, após a aquisição pelo Grupo Carlos Lyra.


A ereção canônica efetivou-se em 30 de abril de 1951, por meio do Decreto nº 243, assinado por Dom Frei Felício César de Cunha Vasconcelos, à época bispo diocesano de Penedo (BARROS, 2023, p. 72). É a partir desse marco que a comunidade deixa de ser capela curada e assume a condição de Paróquia, com vida pastoral própria.


O primeiro pároco, o Padre Fernando Soares Vieira (1951-1980), exerceu seu ministério por trinta anos e residiu por cinquenta anos no município. Foi o responsável pela instituição da Festa da Padroeira, inicialmente celebrada por meio de tríduo, com encerramento no dia 07 de outubro, consolidando assim uma tradição que se tornaria patrimônio imaterial da cidade.


DOS PASTORES QUE SERVIRAM A ESTA TERRA


A história desta Paróquia é, também, a história de seus pastores. Conforme levantamento que apresentei, até 2023, contamos com seis párocos e onze vigários paroquiais, servindo a trinta e duas comunidades, sendo dez urbanas e vinte e duas rurais.


PÁROCOS (6) - Ordem Cronológica:


1) Pe. Fernando Soares Vieira (1951-1980) - 30 anos como pároco, 50 anos na comunidade, Criador da Festa;

2) Pe. José Augusto Silva Melo (1980-1989);

3) Pe. José Luiz Torres (Luís Torres) (1989-1991) - Terceiro pároco;

4) Pe. Eraldo Joaquim Cordeiro (1989-1992 como vigário, 1992-2006 como pároco) - 18 anos de pastoreio;

5) Pe. José Aparecido da Silva (16/11/2006 a 02/07/2016);

6) Pe. Adauto Alves Vieira (04/08/2016 até hoje) - 6º pároco, nomeado Administrador Diocesano em 2026.


VIGÁRIOS PAROQUIAIS (11) - Ordem Cronológica:


1) Diácono/Pe. Manoel Euclides dos Santos (1989-1997), ordenado em 22 de abril de 1989 e falecido em março de 2021;

2) Pe. Eraldo Cordeiro (1989-1992) - vigário antes de ser pároco;

3) Pe. Severino das Neves - Pe. Neves (1990-1991) - vigário colaborador por 1 ano e meio nos anos 1990, conforme correção oficial do autor para este Jubileu;

4) Pe. Antônio Bernardo dos Santos (2002-2003);

5) Pe. Reinaldo Leite Morais Filho (01/06/2006 a 16/11/2006) - Administrador Paroquial;

6) Pe. Paulo César Pereira Pinto (10/05/2012 a 20/06/2016); 7) Pe. Marcos André Meneses dos Santos (2016 - 7 meses);

8) Pe. Jerônimo Pereira Bezerra (20/12/2016 a 31/05/2017);

9) Pe. Renaldo Jacinto Júnior (26/09/2017 a 07/01/2018);

10) Pe. Joelder Pinheiro Correia de Oliveira (02/01/2020 a 03/07/2022);

11) Pe. Aderval Rodrigues dos Santos (21/05/2023 até hoje) - atual vigário.


A nossa caminhada é marcada por ressignificações. A nova Igreja Matriz foi inaugurada em 1978. A Praça de Multieventos foi inaugurada em 28 de julho de 2008, por força da Lei Municipal nº 951/2008, concretizando anseio antigo dos moradores da Vila da Pedra, adjacências e devotos, mantendo a festividade num espaço mais acolhedor.


A FESTA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO: DINÂMICA CULTURAL E ECONÔMICA


Conforme analisado no capítulo 3 de minha dissertação, a Festa do Rosário não se reduz somente ao aspecto litúrgico; ela constitui-se como fenômeno cultural e econômico que movimenta toda a cidade.


Como relatou Eva Barbosa, 87 anos, moradora da Vila Operária: "A festa era o nosso Natal. A gente guardava um dinheirinho o ano todo para comprar roupa nova e ir para a praça. Quem não ia à festa do Rosário, não tinha visto o ano passar". José Souza Irmão (Zeca Queiroz), morador das adjacências da Vila Operária, destacou: "Na semana da padroeira, Delmiro dobra de gente. É o melhor tempo para vender. Vem gente de Água Branca, de Paulo Afonso, de todo canto. É fé que vira pão na mesa".


Em 2020, vivemos a Festa com portas fechadas, totalmente on-line. O retorno à Praça deu-se em 2021, nos 70 anos, ainda sob protocolos. Em outubro de 2026, o Papa Leão XIV nomeou Dom Giovanni Crippa como sexto Bispo de Palmeira dos Índios. O encerramento do Jubileu foi antecipado para 18 de outubro de 2026, em razão do segundo turno das eleições gerais.


Celebrar 75 anos é, portanto, reafirmar que a Paróquia não é apenas estrutura, é povo, é memória, é esperança. Que sigamos, como aprendi a escrever, aprendizes e construtores do esperançar. Fé, Tradição, Serviço - 75 anos de História. Por - Professor Thiego Barros.

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