88 anos após morte de Lampião e Maria Bonita, Missa do Cangaço reúne dezenas de pessoas na Grota de Angico
- Pablo Vitor - Sertão 142
- 28 de jul.
- 2 min de leitura
Celebração realizada nesta terça-feira (28) reuniu familiares de Lampião e Maria Bonita, pesquisadores, historiadores, professores, turistas e admiradores da história do cangaço

Oitenta e oito anos após a morte de Lampião, Maria Bonita e outros nove integrantes do bando, a 29ª Missa do Cangaço reuniu nesta terça-feira (28), na Grota de Angico, em Sergipe, familiares dos cangaceiros, pesquisadores, historiadores, professores, turistas e pessoas interessadas na história do cangaço. Entre os participantes estiveram Expedita Ferreira, de 93 anos, filha de Lampião e Maria Bonita, e Vera Ferreira, neta do casal, além de outros familiares.
Realizada justamente no aniversário do episódio que marcou a morte de Lampião, a celebração levou mais uma vez diferentes gerações à Grota de Angico, local onde Virgulino Ferreira da Silva, Maria Gomes de Oliveira e nove integrantes do grupo foram mortos em 28 de julho de 1938, durante uma ação policial.
A programação começou pela manhã, com embarque de catamarã no Porto de Piranhas, em Alagoas. De lá, os participantes seguiram em direção à Grota de Angico, onde a missa foi celebrada às 10h30. O encontro também contou com apresentações culturais, música ao vivo e participação de estudiosos do cangaço.
Após a celebração religiosa, a programação incluiu o descerramento de uma placa e de um busto em homenagem ao escritor e pesquisador Antônio Amaury, nome de referência nos estudos sobre Lampião e o cangaço. As atividades seguiram durante a tarde, com almoço e apresentações culturais.
A presença de Expedita Ferreira foi um dos momentos de maior simbolismo da 29ª edição. Única filha de Lampião e Maria Bonita, ela tinha cinco anos quando os pais morreram. Aos 93 anos, participou da programação acompanhada da filha Vera Ferreira e de outros familiares.
Na madrugada de 28 de julho de 1938, Lampião e seu grupo foram surpreendidos por uma volante policial comandada pelo tenente João Bezerra. Lampião, Maria Bonita e nove cangaceiros morreram no confronto. Depois, os corpos foram decapitados e as cabeças levadas para Piranhas, onde foram expostas.
O episódio tornou-se um dos principais marcos do declínio do cangaço no Nordeste e, 88 anos depois, continua despertando pesquisas, produções culturais e debates sobre o período. A própria diversidade do público presente na Missa do Cangaço — entre descendentes, estudiosos, educadores, moradores e visitantes — mostra como a história de Angico permanece atravessando gerações.
Em sua 29ª edição, a celebração mantém a Grota de Angico não apenas como cenário de um dos acontecimentos mais conhecidos da história do sertão, mas também como lugar de memória, pesquisa, religiosidade e preservação da história nordestina.

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