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Ex-São Paulo e Cruzeiro, Hudson vira dono de escolinha, se capacita e dá primeiros passos como gestor

  • Globo Esporte
  • 30 de dez. de 2025
  • 5 min de leitura

Ex-volante começou a estudar quando se aposentou no Fluminense e comprou franquia da PSG Academy. Após bom trabalho no Criciúma, profissional inicia ciclo de reestruturação no Sport

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

“O que eu vou fazer quando me aposentar?”. Esta é a pergunta que muitos jogadores se fazem quando a hora de pendurar as chuteiras se aproxima. Alguns migram para o Jornalismo e viram comentaristas. Outros seguem a carreira de treinador. Muitos passam a usufruir do dinheiro que economizaram durante a carreira e tantos outros passam por dificuldades por terem gastado tudo.


Campeão da Copa do Brasil pelo Cruzeiro e com passagens por São Paulo e Fluminense, o ex-volante Hudson Santos optou por outro caminho: voltar à sala de aula.


Desde que se aposentou no Tricolor Carioca em 2022, o ex-atleta começou a se capacitar, fez vários cursos, investiu, se tornou dono de uma escolinha do PSG em Minas Gerias e dá os primeiros passos na carreira como gestor.


Após um trabalho que quase conduziu o Criciúma à elite do Brasileirão, o profissional acabou de assinar contrato com o Sport para ser gerente de futebol para tentar reestruturar o projeto do time pernambucano e leva-lo de volta á Série A depois do rebaixamento em 2025.


Em meio a apostilas, viagens, planilhas e contatos, o ex-jogador de 37 anos admite sentir falta de estar em campo, mas afirma que estar fora dele também é prazeroso.


“Às vezes dá saudade. Mas tenho entendimento muito certo de que meu ciclo como jogador acabou. Aprendi a entender que a minha maior colaboração é potencializar os atletas e comissão técnica e isso me satisfaz muito bem. Isso me dá a mesma adrenalina que tinha como jogador”.

— Hudson ,ex-jogador de São Paulo, Cruzeiro e Fluminense

A recente contratação anunciada pelo Sport como gerente de futebol e o bom trabalho pelo Criciúma na Série B em 2025 não foram sorte de principiante. Desde que decidiu parar de jogar futebol, ele começou a se capacitar para quando a oportunidade aparecesse.


Hudson se formou em Gestão de Futebol, pela CBF e pela Conmebol, Análise de Desempenho, Gestão de Centro de Treinamento, Governança e Conformidade e Inteligência Artificial. Hudson também tem a Licença B CBF para treinador e está se formando no curso Executivo Máster, também pela Confederação Brasileira de Futebol.


O processo de mais de três anos de sala de aula e aprendizado foi longo e complicado, mas o ex-jogador considera que este foi o caminho mais adequado para ele se tornar capaz de exercer as funções diretivas.


— Com certeza. Eu sou muito grato por isso. Ao mesmo tempo que tive tempo para me preparar com formação acadêmica e profissional, eu vivi uma experiência diária de liderança e gestão dentro da PSG Academy em Juiz de Fora que me trouxe uma experiência que pode ser usada em clube profissional, mesmo seno escola — disse.


“Eu procurei estudar bastante neste período, me capacitar na parte de entender o externo do campo. O atleta é muito deficitário quanto a essas informações. Fui buscar este complemento”.


— A cada ano que passar, a cada projeto que eu assumir, vou me tornar um cara mais capacitado. Mas este processo aconteceu de forma saudável e correta, sem pressa. E hoje me sinto muito pronto, apesar da necessidade de seguir aprendendo.


Hudson sabia que os cursos que fez nacional e internacionalmente eram indispensáveis para que ele conseguisse iniciar uma carreira de gestão no futebol e que só o nome dele não bastaria para abrir portas. Porém, conciliar o conhecimento acadêmico e a prática também era fundamental.


Paralelamente aos estudos, ele decidiu empreender e aliar o útil ao agradável. O ex-jogador investiu em um franquia da PSG Academy, uma escolinha global do clube francês em Juiz de Fora, cidade natal de Hudson, em Minas Gerais.


Com dois espaços para atividades e treinos e um terceiro em construção, o projeto conta com mais de 400 alunos e 20 professores e oportuniza atletas entre 5 a 17 anos a disputarem campeonatos nacionais e internacionais com outros núcleos do PSG Academy.


De acordo com ele, comandar uma franquia do PSG, seguir as diretrizes do clubes francês e ter a responsabilidade e a experiência de lidar com crianças, adolescentes, pais e profissionais do esporte seria algo imprescindível para complementar a formação dele como profissional do futebol.


— É muito rico, porque você vive o dia a dia da formação e da evolução dos atletas, das dúvidas e angústias que os pais têm neste período. Eu percorri muitas bases para fazer relacionamento, assimilar conhecimento e buscar a troca de informações. Diante disso, me caracterizo como um gestor que olho muito para a base. Uma das grandes receitas para sustentabilidade dos clubes é a base e a ideia é ter uma formação forte para fomento do futebol profissional.


“A escola me fez entender que a gestão era o que eu me identificaria no pós-carreira, e os cursos tem me entregado o conhecimento externo que eu precisava. Isso tem me tornado um profissional cada vez mais completo”.


Chance no Criciúma e oportunidade do Sport

Hudson chega ao Leão da Ilha credenciado pelo que fez em Santa Catarina. De novo ao lado de Ítalo Rodrigues, com quem trabalhou no Criciúma, o ex-volante vai tentar reestruturar o futebol do Sport, assim como fez no Sul do país.


A dupla chegou ao Criciúma em meio à eliminação no Campeonato Catarinense e viu o Carvoeiro vencer só uma das nove primeiras partidas na Série B do Brasileiro. Porém a troca do comando técnico, de Zé Ricardo por Eduardo Baptista, funcionou, algumas contratações encaixaram e o time escalou rapidamente a tabela.


O Tigre, que chegou a ser vice-lanterna no começo da segunda divisão e experimentou o gosto de ser líder do torneio nda reta final, brigou pelo acesso até a última rodada. Bastava vencer o Cuiabá fora de casa para sacramentar o retorno à primeira divisão. No entanto, a derrota por 1 a 0, aliada aos outros resultados, deixou o Criciúma fora da Série A.


Apesar da frustração, Hudson considera que o trabalho foi um sucesso e uma grande experiência inicial na carreira dele.


— O Criciúma foi um case muito importante para mim. Eu não conhecia o clube, mas tem uma torcida apaixonada, com uma boa estrutura, tanto que é um clube-formador. Ficamos a um ponto de acesso, depois de um trabalho de recuperação que tirou a gente da penúltima colocação para chegar a liderar o torneio na reta final. Foi uma experiência muito rica — analisou.


Hudson começou o trabalho no Sport no dia 23 de dezembro, mas as conversas estão frenéticas com todos os setores do clube, que contratou o técnico Roger Silva, ex-centrovante de Corinthians, Botafogo, São Paulo, Palmeiras, Internaiconal e outros clubes do futebol brasileiro.


O novo gerente de futebol entende que p trabalho será árduo no começo, momento em que a diretoria vai precisar fazer ajustes financeiros. Porém, ele demonstra confiança de que em um segundo momento, com a casa em ordem, os resultados apareçam em campo.


— É um clube muito grande, gigante, que vai demandar resultado esportivo. Dentro deste ajuste de elenco e reestruturação de dívida, vamos ter que formar uma equipe muito competitiva para brigar pelo Campeonato Pernambucano, pela Copa do Nordeste, para fazer uma boa campanha na Copa do Brasil e brigar pelo acesso na Série B. Os três primeiros meses serão de ajuste financeiro e organizacional, e depois virá a necessidade dos resultados esportivos que estejam à altura do clube — finalizou.


Hudson surgiu para o futebol após s destacar por clubes do interior paulista. Sem chances no Tupi, de Juiz de Fora, onde fez a base, ele atuou por RB Brasil, Oeste, onde foi campeão da Série C do Brasileiro, e Botafogo-SP.


Depois, o jogador vestiu camisas pesadas do futebol brasileiro. Ele defendeu as cores do São Paulo, do Cruzeiro, odne foi campeão da Copa do Brasil em 2017, e do Fluminense, local onde encerrou a carreira, aos 34 anos.

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