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Laudo da Polícia Científica descarta falha mecânica em acidente com romeiros em São José da Tapera

  • Agência Alagoas
  • há 1 hora
  • 2 min de leitura

Exame pericial no cronotacógrafo foi decisivo para determinar a velocidade do veículo no momento do acidente

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O Instituto de Criminalística de Arapiraca (ICA), unidade integrante da Polícia Científica de Alagoas (PolC), divulgou nesta segunda-feira (09) o laudo final do acidente envolvendo um ônibus de romeiros em São José da Tapera, no Sertão alagoano. O documento, assinado pelos peritos criminais Gerard Deokaran e Rafaela Jansons, descarta a ocorrência de falha mecânica no veículo e de velocidade excessiva.

  

O ônibus, que transportava fiéis de volta da Romaria de Juazeiro do Norte (CE) para o interior de Alagoas, saiu da pista e capotou em um trecho da rodovia AL-220, no Povoado Caboclo, resultando na morte de 16 pessoas. Segundo levantamentos realizados no local pelos peritos Gerard Deokaran, Rafaela Jansons, Nina Collares, Israel Bezerra e Nivaldo Cantuária a hipótese de pane estrutural ou mecânica já havia sido preliminarmente afastada nos primeiros exames técnicos.

 

Para garantir a precisão total da análise, foi solicitado um exame complementar ao Instituto de Criminalística de Maceió. A equipe de identificação veicular da capital confirmou, por meio de laudo técnico, a inexistência de qualquer defeito mecânico no ônibus envolvido no sinistro.


“Analisamos a cena antes da saída da curva, o raio da curvatura e todos os elementos que auxiliam na compreensão da dinâmica do acidente. Após investigações minuciosas, concluímos que o veículo não apresentava falhas, diagnóstico confirmado pela equipe de identificação veicular”, explicou o perito Gerard.

 

Análise do Cronotacógrafo

 

A perícia também realizou um exame específico no cronotacógrafo — equipamento que registra velocidade, tempo e distância. Inicialmente, foi detectada uma discrepância entre os registros do aparelho e os vestígios observados no local, o que exigiu uma análise mais detalhada.


Verificou-se que, embora o certificado e a validade do tacógrafo estivessem regulares nas bases de dados governamentais, havia uma diferença de escala no disco utilizado. Com o suporte da equipe de trânsito do IC Maceió, foi realizada a conversão dos dados para a escala correta, permitindo o cálculo da velocidade real.

  

“O ônibus trafegava a aproximadamente 100 km/h, velocidade acima do limite da via, que é de 90 km/h. No entanto, o veículo estava abaixo da velocidade crítica da curva. Com base na física clássica e no cálculo de forças centrífugas relativas à estabilidade, constatamos que a velocidade limite para aquele trecho era de 138 km/h”, detalhou Deokaran.


Diante dos dados, a perícia concluiu que o excesso de velocidade não foi o fator determinante para o capotamento, uma vez que o veículo teria condições físicas de completar a curva naquela velocidade.

 

“Após o estudo da cena e dos equipamentos, concluímos que a causa mais provável do acidente foi a perda do controle direcional, o que resultou na instabilização do veículo e na derivação de sua trajetória original”, afirmou o perito.

 

Com a conclusão dos laudos técnicos pela Polícia Científica, o caso agora está sob a responsabilidade da Polícia Civil de Alagoas, que conduzirá as investigações para apurar eventuais responsabilidades criminais.

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